sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tempo

Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
(Mário Quintana, "O tempo" - fragmento)

        O tempo não para, amém. Se parasse... Enfim, foco. O tempo não é justo, nem amigável.
        O tempo castiga. O tempo tortura. O tempo machuca. Por quê? Porque o tempo passa. Se não passasse, certas cenas seriam imortais, e ficariam ali pra sempre, e o que se passasse nela perduraria para todo o sempre. O amor daquele momento, a dor daquela hora... Não acabaria.
        Mas não seria bom. Não devemos nos apegar a momentos: devemos atravessá-los, vivê-los, e deixá-los para trás. Aquele minuto de carinho não vai durar pra sempre, mas a lembrança do abraço te aquece nas horas difíceis; aquele segundo de dor também não durará, mas te tornará blindado para o próximo round. Os momentos de ternura não retornaram, tampouco os de tormento, mas abrirão portas para que novos - bons e ruins - venham.
        Agradeço todos os dias ao tempo não ter parado, e estabilizado-nos, num tédio eterno, sem vida nem mudanças...

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